A expansão internacional das casas de perfumes do Oriente Médio encontrou um terreno especialmente favorável na América Latina. Segundo dados da Circana citados pela Premium Beauty News, as fragrâncias representaram 65% das vendas totais do mercado de beleza latino-americano em 2025, e a categoria cresceu 15% no período.
Os números ajudam a explicar por que marcas dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e outros países do Golfo passaram a observar a região com muito mais atenção.
Uma região onde perfume faz parte do cotidiano
A América Latina tem uma relação particularmente forte com fragrâncias. Perfume, colônia, body splash e produtos corporais perfumados fazem parte da rotina de consumo em diversos mercados da região.
Segundo a análise da Premium Beauty News, o desempenho da categoria está relacionado ao uso frequente de fragrâncias e à procura por produtos percebidos como intensos e duradouros. Essa característica cria um ponto de encontro importante com parte da perfumaria do Golfo, conhecida justamente por trabalhar concentrações marcantes, resinas, madeiras, musks, especiarias e gourmands de forte identidade.
A perfumaria árabe já não é um fenômeno local
Nos últimos anos, marcas árabes deixaram de ocupar apenas lojas especializadas e comunidades de entusiastas. Casas como Lattafa, Afnan e Armaf conquistaram consumidores em diferentes continentes, impulsionadas por distribuição internacional, redes sociais, resenhas e forte relação entre preço e percepção de luxo.
Ao mesmo tempo, o universo árabe é muito mais amplo do que os estereótipos associados apenas a oud, âmbar ou perfumes extremamente doces. Hoje existem casas do Golfo explorando cítricos, aquáticos, florais modernos, musks limpos, madeiras transparentes e composições minimalistas.
Por que a América Latina interessa às casas do Golfo
O mercado latino-americano oferece três fatores especialmente atraentes: consumo frequente, interesse crescente por perfumes de alta performance e espaço para marcas que ainda não possuem distribuição madura na região.
Para fabricantes e distribuidores do Oriente Médio, isso cria oportunidades em vários canais:
- importadores e distribuidores locais;
- e-commerce e marketplaces;
- perfumarias especializadas;
- redes de beleza;
- operações próprias de marca;
- parcerias com varejistas regionais.
O Brasil pode se tornar peça central
Dentro desse movimento, o Brasil tende a ser um dos mercados mais importantes. O país combina grande população, cultura intensa de perfumação e um setor de beleza consolidado.
Isso pode aumentar não apenas a competição entre casas árabes e marcas ocidentais, mas também a disputa entre as próprias empresas do Golfo por distribuição, reconhecimento e presença no varejo.
Uma expansão que ainda está no começo
O avanço das casas árabes na América Latina não parece ser apenas uma moda passageira. Ele faz parte de uma mudança mais ampla na geografia da perfumaria mundial, em que marcas do Oriente Médio deixam de ser vistas como alternativas regionais e passam a construir identidade global.
Para o consumidor latino-americano, isso significa acesso a um número maior de casas, estilos e propostas. Para a indústria, significa um novo território de competição.
Fontes consultadas
Premium Beauty News — Latin America’s fragrance appetite shifts toward the Gulf


