{"id":11377,"date":"2026-10-07T21:01:33","date_gmt":"2026-10-07T21:01:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.atlasparfum.com.br\/?p=11377"},"modified":"2026-10-07T21:01:34","modified_gmt":"2026-10-07T21:01:34","slug":"ia-biotecnologia-plantas-ameacadas-perfumaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atlasparfum.com.br\/ar\/ia-biotecnologia-plantas-ameacadas-perfumaria\/","title":{"rendered":"IA e biotecnologia entram na corrida para recriar aromas de plantas amea\u00e7adas"},"content":{"rendered":"<p>Durante s\u00e9culos, a perfumaria dependeu diretamente da natureza para encontrar parte de suas mat\u00e9rias-primas mais valiosas. Flores, ra\u00edzes, resinas, madeiras, folhas e sementes constru\u00edram algumas das assinaturas mais importantes da hist\u00f3ria do perfume. O problema \u00e9 que luxo, escassez e demanda crescente nem sempre formam uma combina\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Agora, uma nova fronteira tecnol\u00f3gica come\u00e7a a ganhar espa\u00e7o nesse debate. Intelig\u00eancia artificial, an\u00e1lise molecular, cultura de c\u00e9lulas vegetais e sistemas capazes de prever como mol\u00e9culas cheiram est\u00e3o sendo utilizados para tentar produzir aromas e compostos raros sem a necessidade de retirar continuamente material da natureza.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o publicada pelo <em>The Guardian<\/em> em 6 de outubro mostrou como empresas como <strong>Osmo<\/strong> e <strong>BioHarvest Sciences<\/strong> est\u00e3o tentando atacar esse problema por caminhos diferentes. A ideia parece quase futurista: entender um cheiro em n\u00edvel molecular, reconstru\u00ed-lo em laborat\u00f3rio ou produzir os pr\u00f3prios compostos de uma planta atrav\u00e9s de suas c\u00e9lulas, evitando que cada nova produ\u00e7\u00e3o dependa do cultivo ou da coleta da esp\u00e9cie original.<\/p>\n<p>A tecnologia \u00e9 promissora. Mas existe uma diferen\u00e7a fundamental entre reproduzir o cheiro de uma planta e salvar a planta que produz aquele cheiro. \u00c9 exatamente nessa diferen\u00e7a que est\u00e1 uma das discuss\u00f5es mais importantes para o futuro da perfumaria.<\/p>\n<h2>Quando um cheiro come\u00e7a a virar dado<\/h2>\n<p>A Osmo nasceu a partir de pesquisas realizadas no Google Brain sobre intelig\u00eancia artificial aplicada ao olfato. O objetivo \u00e9 ambicioso: ensinar computadores a relacionar a estrutura qu\u00edmica de uma mol\u00e9cula com aquilo que humanos percebem como cheiro.<\/p>\n<p>Enquanto cor pode ser organizada por sistemas matem\u00e1ticos e som pode ser descrito por frequ\u00eancias, o olfato apresenta uma complexidade muito maior. Pequenas altera\u00e7\u00f5es na estrutura de uma mol\u00e9cula podem provocar mudan\u00e7as enormes na percep\u00e7\u00e3o do odor, e a resposta humana envolve centenas de tipos de receptores olfativos.<\/p>\n<p>Pesquisadores ligados \u00e0 Osmo desenvolveram o chamado <strong>Principal Odor Map<\/strong>, um modelo de intelig\u00eancia artificial que organiza mol\u00e9culas dentro de um espa\u00e7o multidimensional e tenta prever suas caracter\u00edsticas olfativas. A tecnologia nasceu da tentativa de transformar cheiro em informa\u00e7\u00e3o comput\u00e1vel e, a partir da\u00ed, reduzir o universo qu\u00edmico que pesquisadores e perfumistas precisam explorar experimentalmente.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o elimina o perfumista. Pelo contr\u00e1rio. A avalia\u00e7\u00e3o sensorial, a dire\u00e7\u00e3o criativa e a constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica continuam humanas. A mudan\u00e7a est\u00e1 em usar a m\u00e1quina como ferramenta para encontrar padr\u00f5es e candidatos que seriam muito dif\u00edceis de investigar um a um.<\/p>\n<h2>\u00c9 poss\u00edvel \u201cdigitalizar\u201d um cheiro?<\/h2>\n<p>A Osmo tamb\u00e9m trabalha em um conceito chamado <strong>Scent Teleportation<\/strong>. O nome parece fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas o princ\u00edpio \u00e9 relativamente claro: capturar um aroma, separar e analisar seus componentes vol\u00e1teis, transformar esses dados em uma representa\u00e7\u00e3o computacional e depois tentar reconstituir fisicamente aquela experi\u00eancia olfativa.<\/p>\n<p>Uma das t\u00e9cnicas envolvidas nesse processo \u00e9 a cromatografia gasosa acoplada \u00e0 espectrometria de massas, conhecida como GC-MS. Ela ajuda a separar e identificar compostos presentes em uma amostra arom\u00e1tica. Em seguida, modelos computacionais podem auxiliar na interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados e na formula\u00e7\u00e3o de uma reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Osmo j\u00e1 demonstrou esse conceito em laborat\u00f3rio com materiais reais. A empresa descreveu uma experi\u00eancia com coco como um de seus primeiros exemplos de captura, an\u00e1lise e reconstitui\u00e7\u00e3o de um cheiro. A reportagem do <em>The Guardian<\/em> tamb\u00e9m relata que a companhia conseguiu trabalhar com uma pequena amostra de casca de uma \u00e1rvore rara para estudar e reproduzir seu perfil arom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Essa possibilidade altera uma pergunta hist\u00f3rica da ind\u00fastria. Em vez de pensar apenas em como extrair mais de uma mat\u00e9ria-prima rara, torna-se poss\u00edvel perguntar se parte de sua assinatura olfativa pode ser compreendida e reproduzida com muito menos press\u00e3o sobre a fonte natural.<\/p>\n<h2>BioHarvest segue por outro caminho<\/h2>\n<p>A BioHarvest Sciences est\u00e1 atacando o problema por uma abordagem diferente. Em vez de reconstruir um odor usando mol\u00e9culas dispon\u00edveis, a empresa utiliza uma plataforma de <strong>Botanical Synthesis<\/strong> voltada ao cultivo de c\u00e9lulas vegetais em ambientes controlados.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2026, a BioHarvest anunciou ter criado uma cultura celular est\u00e1vel de uma planta rara e amea\u00e7ada utilizada na ind\u00fastria de fragr\u00e2ncias. A identidade da esp\u00e9cie n\u00e3o foi divulgada porque o projeto est\u00e1 protegido por acordo de confidencialidade.<\/p>\n<p>Esse detalhe precisa ser tratado com rigor: n\u00e3o h\u00e1 base p\u00fablica suficiente para afirmar que a planta do projeto seja Aquilaria ou que o material seja especificamente oud. O que a empresa informou \u00e9 que se trata de uma mat\u00e9ria-prima extremamente valiosa, proveniente de uma planta amea\u00e7ada e relevante para a perfumaria de luxo.<\/p>\n<p>Nas culturas celulares foram identificados compostos como <strong>sesquiterpenos e cromonas<\/strong>, classes de mol\u00e9culas associadas a profundidade, persist\u00eancia e complexidade em diferentes materiais arom\u00e1ticos. A proposta \u00e9 selecionar c\u00e9lulas capazes de produzir os compostos desejados e multiplic\u00e1-las em condi\u00e7\u00f5es controladas, sem precisar cultivar a planta inteira para cada ciclo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Do laborat\u00f3rio para uma poss\u00edvel cadeia industrial<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria da BioHarvest merece aten\u00e7\u00e3o porque avan\u00e7ou rapidamente ao longo de 2026. Em maio, a empresa assinou um contrato de <strong>US$ 1,2 milh\u00e3o<\/strong> para avan\u00e7ar \u00e0 segunda etapa do desenvolvimento e produzir material suficiente para testes comerciais.<\/p>\n<p>Em agosto veio um sinal ainda mais relevante: a companhia anunciou um acordo de fabrica\u00e7\u00e3o e fornecimento que prev\u00ea capacidade para at\u00e9 <strong>20 toneladas m\u00e9tricas<\/strong> do material ao longo de 2027 e 2028. Segundo a empresa, se as metas t\u00e9cnicas e comerciais forem cumpridas, o contrato pode representar entre <strong>US$ 20 milh\u00f5es e US$ 30 milh\u00f5es<\/strong> em receitas.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que a tecnologia j\u00e1 esteja substituindo mat\u00e9rias-primas naturais no mercado global. Significa algo mais preciso: o conceito est\u00e1 deixando a fase de demonstra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e caminhando em dire\u00e7\u00e3o a uma tentativa real de produ\u00e7\u00e3o industrial. Esse ponto separa uma curiosidade de laborat\u00f3rio de algo que pode, no futuro, alterar uma cadeia de suprimentos.<\/p>\n<h2>Por que o oud aparece tanto nessa discuss\u00e3o<\/h2>\n<p>Embora a BioHarvest n\u00e3o revele qual planta est\u00e1 utilizando, o debate sobre mat\u00e9rias-primas amea\u00e7adas inevitavelmente leva ao <strong>agarwood<\/strong>, conhecido no universo da perfumaria como oud.<\/p>\n<p>O agarwood \u00e9 uma madeira resinosa extremamente arom\u00e1tica formada principalmente por \u00e1rvores dos g\u00eaneros <strong>Aquilaria<\/strong> e <strong>Gyrinops<\/strong>. A resina se desenvolve como resposta da \u00e1rvore a danos, infec\u00e7\u00f5es e outros fatores de estresse e pode gerar uma mat\u00e9ria-prima de enorme valor cultural, religioso e comercial.<\/p>\n<p>A press\u00e3o hist\u00f3rica sobre popula\u00e7\u00f5es selvagens fez com que Aquilaria e Gyrinops fossem inclu\u00eddos no Ap\u00eandice II da CITES, que regula o com\u00e9rcio internacional de esp\u00e9cies amea\u00e7adas. Documentos da conven\u00e7\u00e3o registram d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o e dificuldades de manejo sustent\u00e1vel em diferentes partes da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Existe ainda uma particularidade que torna a cadeia mais complexa: nem toda \u00e1rvore produz agarwood de alta qualidade. Em popula\u00e7\u00f5es selvagens, a presen\u00e7a de madeira resinosa valiosa pode ser limitada, o que historicamente incentivou pr\u00e1ticas de corte e busca com grande impacto ambiental.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o oud se tornou um s\u00edmbolo t\u00e3o forte dessa discuss\u00e3o. O ingrediente re\u00fane tradi\u00e7\u00e3o, luxo, escassez, enorme valor econ\u00f4mico e uma cadeia ambientalmente sens\u00edvel.<\/p>\n<h2>Tecnologia pode substituir o oud natural?<\/h2>\n<p>A resposta exige separar duas ideias. Uma coisa \u00e9 reproduzir determinados aspectos olfativos. Outra \u00e9 substituir completamente uma mat\u00e9ria-prima natural.<\/p>\n<p>Um ingrediente natural pode conter dezenas ou centenas de compostos em propor\u00e7\u00f5es influenciadas por esp\u00e9cie, solo, clima, idade, estresse, fermenta\u00e7\u00e3o, m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o e armazenamento. Mesmo quando uma tecnologia identifica mol\u00e9culas centrais para determinada assinatura, reproduzir toda a complexidade sensorial de um material natural continua sendo uma tarefa dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, perfumaria n\u00e3o \u00e9 apenas qu\u00edmica. Origem, terroir, hist\u00f3ria, m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o e identidade cultural tamb\u00e9m influenciam o valor de determinados materiais. Uma reconstru\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica pode reproduzir parte da experi\u00eancia olfativa sem reproduzir tudo aquilo que o material representa.<\/p>\n<p>\u00c9 semelhante ao que j\u00e1 acontece com outros ingredientes. A exist\u00eancia de mol\u00e9culas sint\u00e9ticas n\u00e3o eliminou a rosa natural da perfumaria, e a vanilina n\u00e3o tornou a baunilha natural irrelevante. Materiais naturais e de laborat\u00f3rio frequentemente coexistem porque cumprem fun\u00e7\u00f5es diferentes na cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>O maior risco \u00e9 transformar tecnologia em desculpa<\/h2>\n<p>Especialistas ouvidos pelo <em>The Guardian<\/em> chamam aten\u00e7\u00e3o para um ponto essencial: produzir uma alternativa laboratorial n\u00e3o conserva automaticamente uma floresta. Se a demanda pelo produto natural permanecer alta, popula\u00e7\u00f5es selvagens podem continuar sob press\u00e3o mesmo que exista uma alternativa tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o depende de fiscaliza\u00e7\u00e3o, manejo sustent\u00e1vel, rastreabilidade, cultivo respons\u00e1vel, recupera\u00e7\u00e3o de habitats e incentivos econ\u00f4micos adequados \u00e0s comunidades envolvidas. Intelig\u00eancia artificial n\u00e3o substitui nenhuma dessas medidas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existe um risco de comunica\u00e7\u00e3o. Palavras como \u201csustent\u00e1vel\u201d, \u201cnatural\u201d e \u201csalvar esp\u00e9cies\u201d podem ser usadas de maneira muito mais ampla do que os dados realmente permitem. Por isso, a tecnologia deve ser analisada como uma ferramenta capaz de reduzir parte da press\u00e3o sobre determinadas mat\u00e9rias-primas, e n\u00e3o como solu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica para a perda de biodiversidade.<\/p>\n<h2>O impacto pode ir muito al\u00e9m das esp\u00e9cies amea\u00e7adas<\/h2>\n<p>Se essas tecnologias funcionarem em escala, o efeito potencial n\u00e3o se limita a ingredientes em risco de extin\u00e7\u00e3o. A ind\u00fastria pode utiliz\u00e1-las para lidar com mat\u00e9rias-primas que apresentam grande varia\u00e7\u00e3o de safra, disponibilidade geogr\u00e1fica limitada, pre\u00e7os vol\u00e1teis ou dificuldade de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma mat\u00e9ria-prima afetada repetidamente por secas, doen\u00e7as agr\u00edcolas ou mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poderia, em determinados casos, ganhar uma segunda rota de fornecimento. Para marcas e casas de fragr\u00e2ncia, isso significaria maior previsibilidade. Para perfumistas, poderia significar acesso mais constante a certos perfis arom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Mas essa mudan\u00e7a tamb\u00e9m cria uma quest\u00e3o econ\u00f4mica delicada: como garantir que a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica n\u00e3o retire valor das comunidades que historicamente cultivaram, coletaram ou processaram essas mat\u00e9rias-primas?<\/p>\n<p>O futuro sustent\u00e1vel da perfumaria n\u00e3o ser\u00e1 decidido apenas em laborat\u00f3rios. Tamb\u00e9m depender\u00e1 da forma como o valor econ\u00f4mico ser\u00e1 distribu\u00eddo ao longo da cadeia.<\/p>\n<h2>A IA tamb\u00e9m pode acelerar a descoberta de novas mol\u00e9culas<\/h2>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial vai al\u00e9m da reprodu\u00e7\u00e3o de materiais naturais. Modelos computacionais podem ser usados para explorar mol\u00e9culas ainda n\u00e3o sintetizadas e prever caracter\u00edsticas olfativas antes que cada candidato seja fisicamente produzido.<\/p>\n<p>Isso pode reduzir uma das etapas mais demoradas do desenvolvimento de ingredientes. Em vez de sintetizar milhares de possibilidades sem qualquer indica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, pesquisadores podem usar modelos para priorizar estruturas com maior probabilidade de apresentar determinado perfil.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina n\u00e3o decide o que \u00e9 belo, elegante ou emocionante. Ela reduz o espa\u00e7o de busca. Cientistas e perfumistas continuam respons\u00e1veis por avaliar aquilo que realmente merece avan\u00e7ar.<\/p>\n<h2>O nariz humano continua no centro<\/h2>\n<p>Toda essa tecnologia produz uma ironia interessante: quanto mais sofisticados ficam os sistemas capazes de estudar cheiro, mais evidente se torna o valor da percep\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Uma m\u00e1quina pode analisar mol\u00e9culas, reconhecer padr\u00f5es e sugerir estruturas. Mas perfume n\u00e3o \u00e9 avaliado apenas por precis\u00e3o qu\u00edmica. Ele precisa criar contraste, mem\u00f3ria, evolu\u00e7\u00e3o na pele e uma experi\u00eancia est\u00e9tica coerente.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma perfumaria feita por computadores sem perfumistas. \u00c9 uma perfumaria na qual perfumistas ter\u00e3o ferramentas cient\u00edficas muito mais poderosas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>A pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o pode acontecer antes do frasco<\/h2>\n<p>Quando pensamos em inova\u00e7\u00e3o em perfumaria, normalmente imaginamos um novo ingrediente, um frasco diferente ou uma fragr\u00e2ncia com uma nota inesperada. Mas algumas das maiores mudan\u00e7as acontecem muito antes de o consumidor encontrar qualquer perfume na prateleira.<\/p>\n<p>A capacidade de cultivar c\u00e9lulas de uma planta rara sem cultivar a planta inteira, modelos capazes de prever odor a partir da estrutura qu\u00edmica e sistemas que transformam aromas em dados podem modificar aquilo que os perfumistas ter\u00e3o dispon\u00edvel para criar durante as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Ainda existem perguntas importantes sobre custo, fidelidade olfativa, regula\u00e7\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o do consumidor e impacto ambiental real. Tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1rio observar se materiais produzidos por biotecnologia conseguir\u00e3o atingir escala sem gerar outros custos ambientais significativos.<\/p>\n<p>Seria precipitado anunciar que a intelig\u00eancia artificial \u201csalvou\u201d qualquer esp\u00e9cie. Mas ignorar o que est\u00e1 acontecendo seria igualmente equivocado. A perfumaria est\u00e1 entrando em uma fase na qual natureza, biologia e computa\u00e7\u00e3o come\u00e7am a se encontrar dentro da mesma cadeia criativa.<\/p>\n<p>Talvez uma parte importante do futuro do perfume n\u00e3o seja simplesmente descobrir novas plantas para colher. Pode ser aprender a compreender, com muito mais precis\u00e3o, aquilo que faz cada uma delas cheirar como cheira.<\/p>\n<h2>Fontes consultadas<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/science\/2026\/oct\/06\/fragrance-biotechnology-endangered-plants-perfume\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Guardian \u2014 Making scents: could AI help perfumers take pressure off endangered plants?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.osmo.ai\/blog\/update-scent-teleportation-we-did-it\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Osmo \u2014 How we invented scent teleportation<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ir.bioharvest.com\/news\/news-details\/2026\/BioHarvest-Sciences-Announces-First-Ever-Successful-Stable-Cell-Culture-Development-of-Rare-Fragrance-Producing-Plant-Using-Proprietary-Botanical-Synthesis-Platform\/default.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BioHarvest Sciences \u2014 stable cell culture development for a rare fragrance-producing plant<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ir.bioharvest.com\/news\/news-details\/2026\/BioHarvest-Secures-20-Ton-Manufacturing-and-Supply-Agreement-for-Rare-Botanical-Luxury-Fragrance\/default.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BioHarvest Sciences \u2014 20-ton manufacturing and supply agreement<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cites.org\/eng\/prog\/medplants\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CITES \u2014 medicinal and aromatic plants \/ agarwood-producing taxa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IA e biotecnologia come\u00e7am a mudar a forma como mat\u00e9rias-primas raras podem chegar \u00e0 perfumaria. Osmo e BioHarvest mostram caminhos diferentes para reproduzir aromas e mol\u00e9culas vegetais, enquanto especialistas alertam que tecnologia n\u00e3o resolve sozinha a press\u00e3o sobre esp\u00e9cies amea\u00e7adas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11379,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_titles_title":"IA e biotecnologia podem mudar as mat\u00e9rias-primas da perfumaria","_seopress_titles_desc":"IA e biotecnologia est\u00e3o sendo usadas para reproduzir aromas e compostos de plantas amea\u00e7adas. 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