Lattafa revela Khamrah Mira: primeiro pilar feminino da linha aposta em floral gourmand com castanha e Cocoa Pulse

A Lattafa acaba de abrir um novo capítulo para uma de suas franquias mais importantes. Khamrah Mira, novo lançamento de 2026, já possui página oficial no site da casa dos Emirados e chega com uma diferença fundamental em relação às interpretações anteriores: é apresentado pela própria marca como uma fragrância feminina, em frasco de 100 ml, construída a partir de uma direção floral gourmand.

A novidade ganha ainda mais relevância porque não parece ter sido pensada apenas como outro flanker de Khamrah. Informações de lançamento divulgadas neste início de outubro posicionam Mira como o primeiro pilar explicitamente feminino da coleção, enquanto preserva elementos que ajudaram a tornar Khamrah reconhecível — especiarias, doçura, baunilha e fava tonka — e os reorganiza em uma composição mais floral, frutada e texturizada.

É uma mudança importante para uma linha que começou em 2022 com uma identidade compartilhável e intensamente gourmand e que, desde então, vem sendo expandida para diferentes territórios olfativos.

A composição de Khamrah Mira

A pirâmide oficial divulgada pela Lattafa abre com groselha vermelha, canela e mandarina.

No coração aparecem jasmim sambac, flor de laranjeira, Rosyfolia™ e castanha.

A base combina resina de benjoim, absoluto de fava tonka torrada, baunilha de Madagascar, Cocoa Pulse™ e almíscar.

A própria Lattafa descreve Mira como uma exploração da feminilidade através de uma nova perspectiva e define a composição como um floral gourmand radiante, no qual a acidez frutada da groselha encontra a riqueza do jasmim sambac e o conforto cremoso da castanha.

Esse desenho já indica que Mira não pretende simplesmente reproduzir a estrutura do Khamrah original com uma embalagem diferente.

A groselha muda o ponto de partida de Khamrah

O Khamrah lançado em 2022 começa com bergamota, canela e noz-moscada. Seu coração trabalha acorde de tâmaras, pralinê, tuberosa e elementos florais, enquanto a base combina tonka torrada, benjoim, mirra, Akigalawood™, baunilha e madeira ambarada.

Mira preserva a canela, mas troca o início mais especiado e ambarado por uma entrada em que groselha vermelha e mandarina devem acrescentar brilho, acidez e suculência.

Essa diferença é importante. Frutas vermelhas conseguem criar contraste dentro de estruturas muito doces. Em vez de simplesmente adicionar mais açúcar à composição, a groselha tende a introduzir uma sensação ácida e vibrante capaz de levantar o perfume antes que as partes mais cremosas e gourmand apareçam.

A mandarina reforça essa luminosidade. Portanto, ao menos pela arquitetura oficial das notas, Mira parece procurar uma abertura menos densa que a de alguns integrantes anteriores da família.

Castanha coloca textura no coração

Talvez uma das escolhas mais interessantes esteja no coração.

Ao lado de jasmim sambac e flor de laranjeira, a Lattafa colocou castanha.

A castanha pode sugerir cremosidade, tostado, efeito amendoado e uma sensação quase culinária sem necessariamente produzir a impressão literal de sobremesa.

Aqui, ela funciona como ponte entre os florais e a base de baunilha, tonka, benjoim e cacau.

É justamente essa combinação que pode determinar a personalidade de Mira. Em vez de separar uma parte floral de uma parte gourmand, a estrutura tenta fazer as duas linguagens se encontrarem no centro da composição.

Rosyfolia™ introduz tecnologia da Givaudan

Mira também utiliza Rosyfolia™, ingrediente proprietário desenvolvido pela Givaudan.

A casa de fragrâncias descreve Rosyfolia como uma nota floral rosada de caráter geraniol, com uma dimensão frutada, aérea e difusiva. Seu objetivo é oferecer aos perfumistas uma sensação de pétala luminosa e transparente.

Isso ajuda a compreender por que a Lattafa fala tanto em luminosidade na comunicação de Mira.

A presença de jasmim sambac e flor de laranjeira poderia facilmente conduzir a um floral branco mais denso. Rosyfolia tende a adicionar outro tipo de floralidade: mais transparente, rosada e expansiva.

Esse uso de moléculas proprietárias também revela outra evolução da Lattafa. A marca já não está apenas trabalhando com pirâmides tradicionais de matérias-primas reconhecíveis pelo consumidor. Ela começa a colocar ingredientes tecnológicos e assinaturas exclusivas no centro de sua comunicação.

Cocoa Pulse™ retorna em Khamrah Mira

A base apresenta outro elemento particularmente importante: Cocoa Pulse™.

O material foi desenvolvido em parceria entre Lattafa, Givaudan e o perfumista Jordi Fernández e já apareceu em projetos recentes da casa.

Cocoa Pulse resulta de um processo de co-destilação que combina elementos derivados de absoluto de manteiga de cacau com Akigalawood™, criando uma assinatura gourmand que mistura cacau, especiarias e madeira.

Isso significa que falar simplesmente em “nota de chocolate” seria reduzir demais o conceito.

A proposta do Cocoa Pulse é justamente afastar o cacau de uma leitura exclusivamente açucarada. Ele pode produzir uma impressão mais escura, texturizada, amadeirada e especiada.

Em Mira, essa assinatura aparece ao lado de baunilha de Madagascar, benjoim e tonka torrada. É um fundo claramente gourmand, mas com ferramentas para ganhar profundidade.

Jordi Fernández e Gaël Montero assinam a composição

Outro dado relevante surgiu junto com o lançamento: Khamrah Mira foi criado pelos perfumistas Jordi Fernández e Gaël Montero, da Givaudan.

Jordi Fernández já possui uma relação significativa com projetos recentes da Lattafa e participou do desenvolvimento de Cocoa Pulse.

Sua presença em Mira reforça uma estratégia que merece ser acompanhada.

Casas árabes que durante muito tempo comunicavam principalmente marca, embalagem e notas estão começando a destacar com maior frequência perfumistas, casas de criação e ingredientes proprietários.

Isso aproxima sua comunicação daquela utilizada por marcas de nicho e grandes maisons internacionais.

Khamrah está deixando de ser um perfume para virar uma franquia

Talvez este seja o ponto editorial mais importante do lançamento.

Khamrah começou em 2022 como uma única fragrância unissex.

Em 2023 chegou Khamrah Qahwa, acrescentando gengibre, cardamomo e, principalmente, café arábica à base gourmand da coleção.

Depois veio Khamrah Dukhan, que deslocou a família para um território mais esfumaçado e de inclinação masculina, trabalhando pimenta, especiarias defumadas, incenso, tabaco e âmbar.

Em 2026, Khamrah Waha fez algo ainda mais radical: levou o nome Khamrah para uma construção fresca, mineral e aromática, com bergamota, yuzu, zimbro, gengibre, pepino, sal marinho, íris, Akigalawood™, Ambrofix™, tonka, baunilha e musk.

Agora Mira ocupa outro território: o feminino floral gourmand.

Vista dessa maneira, a estratégia se torna bastante clara.

Khamrah já não representa apenas uma fórmula específica. Está se tornando uma plataforma de marca capaz de receber diferentes personalidades olfativas.

Uma arquitetura de coleção cada vez mais parecida com grandes franquias designer

Essa estratégia não é nova na perfumaria internacional.

Quando um perfume se transforma em sucesso, grandes maisons começam a explorar diferentes interpretações: mais frescas, mais intensas, mais doces, masculinas, femininas, noturnas ou sazonais.

O que chama atenção é ver a Lattafa aplicando essa arquitetura com velocidade.

Em quatro anos, Khamrah passou de um lançamento individual para uma família que cobre gourmand especiado, café, fumaça/tabaco, frescor mineral e agora floral gourmand feminino.

Isso demonstra confiança no valor do nome.

Em vez de abandonar uma propriedade bem-sucedida para criar dezenas de conceitos desconectados, a empresa investe na construção de reconhecimento acumulado.

Mira também muda visualmente a família

O frasco acompanha a mudança de posicionamento.

Segundo as informações divulgadas no lançamento, a silhueta reconhecível de Khamrah foi reinterpretada de forma mais esguia, com acabamento suave e translúcido pensado para captar e refratar a luz.

Essa decisão é significativa porque mantém o reconhecimento visual da família sem simplesmente trocar a cor do vidro.

O consumidor precisa olhar e identificar Khamrah, mas também perceber imediatamente que Mira representa outra personalidade.

É exatamente assim que boas franquias são construídas: continuidade suficiente para gerar reconhecimento e diferença suficiente para justificar um novo produto.

O nome Mira reforça a ideia de luminosidade

A comunicação de lançamento associa “Mira” à ideia de brilho interior, presença, admiração e força silenciosa.

O nome possui significados diferentes entre culturas e ainda funciona, em espanhol, como o verbo “olhar”, criando uma associação adicional com visibilidade e atenção.

Essa narrativa combina diretamente com a linguagem escolhida para a fragrância: floralidade luminosa, frasco translúcido e expressão feminina de Khamrah.

Não é apenas um nome colocado sobre uma fórmula pronta.

Ao menos do ponto de vista de branding, produto, frasco e storytelling foram construídos para trabalhar juntos.

Mira parece menos interessado em repetir o Khamrah original

Essa talvez seja a decisão mais acertada.

Quando uma franquia ganha força, existe sempre o risco de produzir pequenas variações que dependem exclusivamente da fama do original.

A pirâmide de Mira indica outra intenção.

Canela, tonka, baunilha e benjoim preservam pontos de contato com a identidade gourmand de Khamrah.

Mas groselha, mandarina, jasmim sambac, flor de laranjeira, Rosyfolia, castanha e Cocoa Pulse conduzem a composição para outra direção.

Existe familiaridade, mas também diferenciação.

Sem testar o perfume na pele, não é possível afirmar como esses materiais estarão proporcionados nem qual deles dominará a evolução. Também seria prematuro fazer qualquer afirmação sobre projeção, fixação ou similaridade com outro perfume.

Mas a arquitetura oficial permite dizer algo importante: Mira não foi desenhado como simples reprodução do Khamrah original em versão feminina.

Ainda não há confirmação de lançamento oficial no Brasil

Na apuração realizada em 5 de outubro de 2026, Khamrah Mira já aparece no site internacional da Lattafa e é oferecido em frasco de 100 ml.

No entanto, ainda não havia confirmação pública de preço ou data específica para chegada oficial ao Brasil.

Qualquer informação mais precisa neste momento seria especulação.

O cenário pode mudar rapidamente, especialmente considerando a força comercial que a família Khamrah já possui no país.

Por que Khamrah Mira merece atenção

Mira chega em um momento particularmente interessante para a Lattafa.

A empresa já demonstrou que consegue transformar perfumes individuais em fenômenos internacionais. O desafio agora é diferente: construir propriedades de marca duradouras.

Khamrah é um dos melhores exemplos dessa transição.

Qahwa mostrou que o DNA gourmand poderia receber café.

Dukhan levou a família para fumaça e tabaco.

Waha provou que Khamrah poderia até abandonar boa parte da densidade gourmand e entrar em um universo fresco e mineral.

Mira agora testa outra fronteira: transformar Khamrah em uma franquia capaz de falar diretamente com o público feminino sem perder os códigos que tornaram o nome reconhecível.

Se funcionar, o lançamento poderá representar mais do que uma nova fragrância.

Pode confirmar que Khamrah deixou definitivamente de ser apenas um perfume de sucesso e passou a funcionar como uma das grandes plataformas de produto da Lattafa.

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